terça-feira, 1 de novembro de 2011

Análise dos Personagens

          João Romão – esperto, miserável, inescrupuloso (chegando, muitas vezes a margear a desumanidade), ganancioso, empreendedor, enganador e invejoso. É o dono do cortiço no qual se ambienta o livro. É “marido” de Bertoleza. “... deixando de pagar todas as vezes que podia e nunca deixando de receber, enganando os fregueses, roubando nos pesos e nas medidas...”.      (Inocêncio Solimões)
          Bertoleza – trabalhadora, submissa, sonhava com a liberdade por meio de uma carta de alforria. É enganada por João Romão quando este falsifica sua carta de alforria. Representa o arquétipo da mulher ideal nos moldes da época, acrescido do fato de ser negra e escrava. “E, no entanto, adorava o amigo, tinha por ele o fanatismo irracional das caboclas do Amazonas pelo branco a que se escravizam, (...) são capazes de matar-se para poupar do seu ídolo a vergonha do seu amor.”
“... às quatro da madrugada estava já na faina de todos os dias...” (Inocêncio Solimões)
          
          Jerônimo – nostálgico, forte, trabalhador, dedicado e honesto. É casado com Piedade, mas sucumbe à malemolência de Rita Baiana. “... a força de touro que o tornava respeitado e temido por todo pessoal...”, “... grande seriedade do seu caráter e a pureza austera dos seus costumes...”. “... um pulso de Hércules...”.  (Inocêncio Solimões)

          Piedade – submissa, honesta e trabalhadora. Era esposa de Jerônimo, e, assim como Bertoleza, se assemelha nos aspectos psicológicos. “Piedade merecia bem o seu homem, muito diligente, sadia, honesta, forte, bem acomodada com tudo e com todos, trabalhando de sol a sol e dando sempre tão boas contas da obrigação, que os seus fregueses de roupa, apesar daquela mudança para Botafogo, não a deixaram quase todos.” 
(Inocêncio Solimões)

          Firmo – gastador, vadio, galanteador, charlatão e presunçoso. Amigo de Rita Baiana, é descrito como “um mulato pachola, delgado de corpo e ágil como um cabrito; capadócio de marca, pernóstico, só de maçadas, e todo ele se quebrando nos seus movimentos de capoeira”. “...Era oficial de torneiro, oficial perito e vadio: ganhava uma semana para gastar num dia...”. 
(Inocêncio Solimões)

          Rita Baiana – malemolente, sensual, alegre e assanhada. É objeto de desejo da maioria dos homens do cortiço. “E toda ela respirava o asseio das brasileiras e um odor sensual de trevos e plantas aromáticas. Irrequieta, saracoteando o atrevido e rijo quadril baiano, respondia para a direita e para a esquerda, pondo à mostra um fio de dentes claros e brilhantes que enriqueciam a sua fisionomia com um realce fascinador.” 
(Inocêncio Solimões)

          Pombinha – amiga, inteligente e pura. Representa o extremo oposto de Rita Baiana, com sua beleza imaculada. “A filha era a flor do cortiço (...) Bonita, posto que enfermiça e nervosa ao último ponto: loura muito pálida, com uns modos de menina de boa família”. “...era muito querida por toda aquela gente.”
“Era quem escrevia cartas (...) quem tirava as contas; quem lia os jornais...”  
(Inocêncio Solimões)

          Léonie – prostituindo-se, independe dos homens. “... com as suas roupas exageradas e barulhentas de cocote à francesa, levantava rumor quando lá ia e punha expressões de assombro em todas as caras.” (Davi Pinheiro)

          Miranda – invejoso, ganancioso, rico, esperto, oportunista, não era feliz no casamento, entretanto, continuou casado pois dependia do dote de sua esposa, D. Estela. “... o Miranda pilhou-a em flagrante delito de adultério; ficou furioso e o seu primeiro impulso foi de mandá-la para o diabo junto com o cúmplice; mas a sua casa comercial garantia-se com o dote que ela trouxera...”   (Davi Pinheiro)

            D. Estela – adultera e presunçosa. “...senhora pretensiosa e com fumaças de nobreza...” 
(Davi Pinheiro)

          Zulmira – vivia para satisfazer a vontade do pai. “...pálida, magrinha, com pequeninas manchas roxas nas mucosas do nariz, das pálpebras e dos lábios (...) olhos grandes, negros, vivos e maliciosos.” 
(Davi Pinheiro)

          Henrique – estimado de Dona Estela. “Dona Estela, no cabo de pouco tempo, mostrou por ele estima quase maternal...” 
(Davi Pinheiro)

          Botelho – antipático e parasita.“... muito macilento, com uns óculos redondos que lhe aumentavam o tamanho da pupila e davam-lhe à cara uma expressão de abutre...”.
“...via-se totalmente sem recursos e vegetava à sombra do Miranda...”  
(Davi Pinheiro)

16 comentários:

  1. mas o cortiço tbm é personagem. cadê?

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    1. kkkkkkkkkk O Cortiço é o nome do lugar em que se passa a obra...

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    2. O Cortiço é o personagem principal.

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    3. Jeze Agner, sim, "O Cortiço" é o protagonista do Romance, todos os seus moradores e demais personagens são secundários.

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    4. É sim, uma das caracteristicas do Naturalismo é a Antropomorfizaçao, que é, caracterizar o local como sendo um personagem vivo. No caso do cortiço ele é a personagem principal

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    5. É sim, uma das caracteristicas do Naturalismo é a Antropomorfizaçao, que é, caracterizar o local como sendo um personagem vivo. No caso do cortiço ele é a personagem principal

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    6. Este comentário foi removido pelo autor.

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    7. Claro que o cortiço é personagem, e ainda é a principal. Caracteristica do Naturalismo é a Antropomorfizaçao, que é, justamente dar caracteristicas vivas ao espaço.... no caso do cortiço, ele é o principal

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    8. Na verdade, a Antropimorfização, característica do Naturalismo, se dá pela animalização dos personagens, ou seha, descrevê-los e tratá-los na obra como animais. "O cortiço" não é um personagem e não é visto como um personagem. É o lugar em que se passa a história.

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    9. Gabi, sim, o cortiço é o local em que se passa a história. Entretanto, o próprio cortiço é considerado o personagem principal, pois é nele que a maioria das coisas acontecem além de receber características humanas. Em vários capítulos é possível perceber ações que somente seres vivos seriam capazes de realizar, como "o cortiço abria os olhos...". Em uma leitura mais aprofundada é possível perceber que João Romão, apesar de dono do cortiço, torna-se um personagem secundário, mas que não deixa de ser importante.

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    10. Gabi Z, isso ai é ZOOmorfização, não Antropomorfização...

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  2. Bertoleza e das mulheres que sofre mas e enganada pelo próprio patrão... Ver se pode uma coisa dessa..

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  3. Gente "o cortiço" é o apelido de João Romão

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  4. O cortiço e o sobrado: personagem principal; sofre processo de zoomorfização; é o núcleo gerador de tudo e foi feito à imagem de seu proprietário, cresce, se desenvolve e se transforma com João Romão. Apesar de seu crescimento, desenvolvimento e transformação acompanharem os mesmos estágios na pessoas de João Romão, é, na verdade, o estabelecimento que muda o dono, não o contrário. Vê-se na evolução do cortiço um processo que não se pode evitar ou reverter, determinado desde o início da história, tendo João Romão apenas feito o que estava em seu instinto de homem desprovido de livre-arbítrio fazer. O sobrado representa para o cortiço o mesmo que Miranda representa para Romão, criando-se entre eles a mesma tensão que existe entre os dois homens.

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